[Editado por: Marcelo Negreiros]
Sem enfrentar os problemas, o governo ainda anunciou, em uma clara derrota de Haddad, a isenção de IR para quem ganha até R$5 mil, financiada por um aumento de impostos sobre aqueles que ganham mais de R$50 mil por mês.
Ignorando dados empíricos e experiências internacionais, o PT continua com a ideia de taxar “super ricos”, uma medida que mais de 30 países adotaram nos últimos anos, mas a maioria abandonou. Atualmente, cerca de apenas cinco países mantêm essa política equivocada.
Os ricos simplesmente transferem seu capital para fora do país, e o tiro sai pela culatra. Foi o que aconteceu em 2012 com o governo de esquerda de François Hollande na França, que reverteu a medida em 2014, apenas dois anos após sua implementação, pois a receita obtida foi uma fração do déficit do país, em torno de 0,1%, e muitos deixaram o país, levando consigo capital e empresas.
Diante disso, o dólar atingiu R$6,10, e a curva de juros futuros já projeta uma SELIC acima de 14% em 2026. Se não lidarmos com isso, a inflação poderá se tornar inercial, colocando em risco o Plano Real, que trouxe certa estabilidade monetária ao país nos últimos anos. Bem-vindo à visão de mundo petista.
O PT mantém-se enraizado em sua mentalidade operária e sindicalista das décadas de 1980, mas não percebeu — ou se recusa a aceitar — que a sociedade brasileira e, consequentemente, a economia mudaram para um modelo de consumo muito mais voltado para serviços.
Os serviços já representam quase 60% da economia nacional, e nesse modelo ocorre uma mudança na forma de organização, trabalho e busca por novos modos de vida.
As demandas da classe trabalhadora hoje em dia não se assemelham às dos anos 1980, quando os trabalhadores queriam sindicalizar-se e serem regidos por um regime trabalhista rígido, acreditando que os custos eram arcados pelos empregadores, não por eles próprios, os empregados.
Com o tempo, esse entendimento mudou, e a maioria agora deseja mais flexibilidade, escolhendo quando e como gerar sua renda, em vez de ser o Estado — que não é uma entidade abstrata, mas um grupo de burocratas de plantão — a decidir o que é ou não bom para eles e suas famílias. Assim, impostos abusivos e a falta de flexibilidade não fazem mais sentido.
Isso foi amplamente demonstrado em uma pesquisa do Uber e Ifood, onde 91% dos colaboradores disseram não querer mais um sindicato para representá-los, muito menos serem regidos pela CLT, criada em 1º de maio de 1943 pelo ditador Getúlio Vargas.
Outro episódio que ganhou atenção nacional foi a de trabalhadores formando filas para informar aos sindicatos que não desejavam mais sustentá-los. Isso ocorreu porque o PT alterou a regra da reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer, que havia tornado a contribuição sindical opcional.
Está clara a mudança na sociedade e seus anseios, mas o PT se nega a ver e, pasmem, ainda luta nos bastidores para derrubar a reforma mencionada, que trouxe mais dinamismo e flexibilidade ao mercado de trabalho.
Nos EUA, não há Ministério do Trabalho, e existe a importante negociação voluntária entre as partes (empregados e empregadores), com salário por hora. Aqui, queremos voltar aos anos 1940. Qual a chance de sucesso?
Esses pontos começam a ficar claros para a população: o governo não mais a representa, e foi uma ilusão acreditar, por tantas décadas, em suas supostas lutas por melhorias. O que realmente tem tirado as pessoas da pobreza há mais de dois séculos é o capitalismo de livre mercado, quando permitido existir.
Enquanto isso, no Brasil, vemos uma perversa engenharia política em que o Legislativo não vota as pautas necessárias para cortes de gastos sem a definição das emendas parlamentares, que lhes dão acesso a R$50 bilhões por ano. Enquanto isso, aprovam projetos que beneficiam setores próximos a eles ou que possuem fortes lobbies.
Um levantamento do Poder360 aponta que os deputados quase não votaram propostas de redução de despesas em 2023 e 2024. Além disso, nos EUA, a Suprema Corte julgou apenas 60 ações em 2024 até o momento, enquanto no Brasil foram mais de 93 mil, sendo mais de 80% delas decididas de forma monocrática.
O que temos aqui? Um Executivo que gastou demais para manter uma popularidade em queda, avesso à responsabilidade fiscal necessária para conter a inflação e, assim, aumentar o poder de compra dos mais pobres; um Legislativo que retém pautas urgentes para a sociedade enquanto sustenta bilhões de reais em seus próprios bolsos; e um Judiciário que decide 100 mil ações de forma monocrática.
Existe realmente representação popular nesse ciclo vicioso acima? O Brasil precisa reformular seu sistema político do zero.
Em meio a tudo isso, o governo precisa urgentemente cortar gastos, mas embarca na roda acima, e o pior de tudo, sem querer cortá-los.
Assim, a precificação dos ativos e dos preços nas ruas acontece diariamente, comprometendo cada vez mais a qualidade de vida e o poder de compra dos cidadãos.
A mentalidade operária dos anos 1980 permanece vigente, e todos pagamos por isso. A irresponsabilidade de alguns economistas letrados e renomados deveria ser cobrada pela sociedade, pois Lula e seu entorno sempre deixaram claro que fariam exatamente o que está sendo feito. Anos de experiência, estudos e brilhantismo econômico não foram suficientes para entender a mente do presidente? De onde exatamente veio esse voto de confiança?
Enquanto o presidente seguir dizendo que precisa ter um plano público para construir banheiros e que isso não é gasto, mas sim investimento, e que deseja IA estatal no Brasil via Telebrás, a discussão na base da sociedade se focar em aumento de impostos e trivialidades, não há a menor chance de competirmos com o mundo desenvolvido em plena transformação e diante das demandas de um mercado de trabalho concorrente e com dificuldade de encontrar mão de obra qualificada.
Enquanto a visão do presidente, que acaba por influenciar parte da sociedade desinformada e com pouco conhecimento econômico, for a de que há um complô do “tal mercado” contra as ideias da esquerda e de seu governo (mesmo recebendo apoio de muitos deles), continuaremos retrocedendo rapidamente como país.
Lembremos que o “tal mercado” não é composto por pessoas malignas sentadas em volta de uma mesa, com capuzes pretos e planos de derrubar o PT. São milhões de agentes econômicos ao redor do mundo, incluindo pequenos investidores, precificando o risco Brasil e tomando decisões diárias sobre investir ou não aqui, e, se decidirem investir, quais preços consideram razoáveis para cobrir esse risco. Simples assim.
Por fim, graças à informação descentralizada, conseguimos mostrar cada vez mais a um grupo da população as verdadeiras mazelas do intervencionismo e do atraso brasileiro. Fica claro por que há uma obsessão em tentar censurar certos conteúdos, não é mesmo?
Acredito ser tarde demais, e a mentalidade atrasada vigente no Brasil encontra cada vez menos espaço. O caminho é longo, a luta é árdua e se estenderá por décadas, mas vemos oportunidades ao longo do percurso. Lutemos e sigamos
[Redação]
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