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Há 88 anos, em 5 de junho de 1938, as manchetes dos jornais brasileiros falavam de uma só coisa: Ernst Wilimowski, o jogador polonês que protagonizou uma das partidas mais acirradas da história do Brasil em Copas do Mundo. O palco dessa história era a França, sede da Copa daquele ano. Foi a última Copa antes da Segunda Guerra Mundial.
Em um jogo com muito suor e disputa de Bola, Ernst marcou quatro gols para a Polônia em uma atuação histórica. Com isso, tornou-se o jogador com a maior média de gols por partida na história das Copas do Mundo. Também foi dono do recorde de mais gols marcados em uma única partida de Copa por 56 anos.
No fim, após a prorrogação, o Brasil virou e ganhou, com um placar de 6 a 5. A derrota eliminou a Polônia da competição, no que seria a única participação do país em Copas até 1974. Mesmo tendo disputado apenas uma partida no torneio, Ernst é o quarto jogador polonês com mais gols na Copa.

Ele se destacava tanto em campo que sua posição de atacante no lado esquerdo do campo era bastante flexível. Wilimowski tinha liberdade para se movimentar por todo o gramado, ocupando diferentes espaços.
Suas habilidades eram tão evidentes que foi convocado para a seleção polonesa em 1934, quando tinha apenas 17 anos. Rapidamente, tornou-se um dos maiores jogadores do futebol polonês de sua época. Em 1939, pelo clube Ruch Chorzów, chegou a marcar dez gols em uma única partida.
Apesar do talento, o jogador não se tornou um herói nacional polonês, e costuma ser deixado de lado nas narrativas futebolísticas. O motivo está nos acontecimentos que vieram depois da Copa de 1930, com o início da Segunda Guerra Mundial: Ernst Wilimowski passou a ter ligações com a Alemanha nazista.
Filho de mãe alemã, ele nasceu em 1916 na Silésia, território que, na época, ainda fazia parte da Alemanha. Ele cresceu falando alemão. Após a Primeira Guerra Mundial, em 1921, a Polônia incorporou a região. Isso explica por que ele representou a seleção polonesa.
Contudo, a carreira do jogador foi por água abaixo um ano depois, em 1939, quando a Alemanha voltou a ocupar a Silésia durante a Segunda Guerra Mundial. Os habitantes da região tiveram de escolher entre manter a cidadania polonesa ou adotar a alemã – e Wilimowski optou pela segunda alternativa.
Para muitos, a decisão é interpretada como uma estratégia de sobrevivência em meio a destruição da guerra, visto que Ernst tinha privilégios por ter descendência alemã. Ele passou então a assinar seu sobrenome com dois “L”, tornando-se Willimowski, e se mudou para a Saxônia, na Alemanha.
Por lá, continuou atuando por grandes clubes de futebol até ser convocado para a seleção alemã. É nesse ponto que sua imagem começa a se azedar de vez na Polônia.
O futebol era uma forma de propaganda do regime nazista, e Willimowski acabou se tornando um dos rostos dessa estratégia. Enquanto isso, sua mãe foi aprisionada em um campo de concentração por ter um relacionamento íntimo com um homem russo e judeu.
Vestindo o uniforme com a suástica no peito, Willimowski disputou partidas contra países ocupados pela Alemanha ou que estavam neutros na guerra. Em oito jogos pela seleção alemã, marcou 13 gols. Algumas versões afirmam que ele aceitou jogar pela Alemanha para tentar garantir a libertação de sua mãe do campo de concentração de Auschwitz. Não há consenso sobre o assunto, e os motivos exatos por trás de suas decisões ainda são turvos.
De qualquer forma, sua associação com o nazismo fez com que ele fosse visto por muitos poloneses como um traidor. Mesmo mantendo um bom desempenho dentro de campo, nunca conseguiu recuperar o sucesso com o público.
Sua trajetória também acabou cercada por lendas e boatos, muitos deles sem comprovação. Entre as histórias mais curiosas estão a de que teria seis dedos em um dos pés e a de que costumava ficar bêbado após as partidas.
Wilimowski permaneceu na Alemanha após a guerra, atuando por clubes menores. Morreu em 1997, aos 81 anos.
[Por: Superinteressante]
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