[Editado por: Marcelo Negreiros]
?EX-SECRETÁRIO Samuel Elânio foi criticado por falas sobre números de homicídios uma semana antes da demissão
O governador Elmano de Freitas (PT) anunciou ontem a troca no comando da Secretaria da Segurança Pública, no primeiro passo da reforma de secretariado que mexeu em quatro pastas e cinco órgãos. Sai Samuel Elânio e entra Roberto Sá. Para políticos que atuam na oposição, a troca era urgente diante do aumento do números de homicídios e foi recebida de bom grado, com desejos de uma boa gestão, embora haja a avaliação que será preciso mais que só a mudança no comando para trazer um alívio para a pasta.
O prefeito de Fortaleza José Sarto (PDT) disse ainda ser cedo para avaliar o novo gestor, mas desejou um bom trabalho a Roberto Sá. Em entrevista coletiva na Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), o pedetista destacou a situação de insegurança no Estado e afirmou que os números são “inaceitáveis” e “não razoáveis”, em referência a uma fala de Elânio que gerou críticas da oposição.
“Tá cedo (para avaliar). O secretário nem tomou posse ainda. É preciso dar tempo ao tempo. Eu faço votos que o secretário possa fazer um bom trabalho porque a situação atual de insegurança do Ceará, a despeito do que acontece em outras regiões, leia-se Pernambuco e Bahia, o Ceará tendo tido números absolutamente inaceitáveis, não são razoáveis”, disse Sarto.
Na última semana, Samuel Elânio deu uma declaração sobre o número de homicídios. No entanto, o então secretário da Segurança Pública afirmou que o índice seria “razoável” comparado a um outro período. Após repercussão negativa, Elmano demitiu o secretário.
“Estamos falando de um aumento considerando reduções em cima de reduções. Obviamente, se tivermos um homicídio hoje e amanhã tivermos dois, aumentamos 100%. Mas comparado com todo o período, um período bem maior do que esse, nós ainda estamos com um número razoável. Mas sabemos que devemos melhorar e vamos melhorar”, disse o Elânio.
À noite, nas redes sociais, Sarto mudou o tom e desferiu falar mais críticas ao novo secretário. “Facções criminosas e violência sem controle. O Ceara é o novo Rio de Janeiro?”, publicou o prefeito, em referência ao currículo de Roberto Sá como ex-secretário da segurança do Rio.
Também pré-candidato a Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner (União Brasil) também desejou boa sorte ao novo gestor, mas cobrou que, além da indicação, é preciso a criação de um plano de gestão na área da segurança pública.
“É primordial, primeiro, que ele possa unir todas as forças que atuam, direta e indiretamente, na segurança do nosso Estado, trazer e chamar os prefeitos à responsabilidade no que é competência deles, chamar o poder Judiciário, Legislativo para contribuir com o debate, criar um plano de segurança para o estado de Ceará, que eu reivindico que desde a época do governo Cid Gomes nunca foi feito um plano de segurança para o nosso estado”, ressaltou em conversa com O POVO.
Ele cobrou também que o novo secretário, que para ele tem um bom currículo, possa ter autonomia. “Que precisa ser dada a ele para que ele possa adotar as medidas que são necessárias para melhorar a segurança. Acho que passou da hora, era para ter sido realizada essa troca bem antes, não precisava ter acontecido tantas tragédias no estado”, avaliou.
Também pré-candidato em Fortaleza, o deputado federal André Fernandes (PL) considerou que os índices de segurança do Ceará “aterrorizam o nosso povo”. “Desejo ao novo secretário, Roberto Sá, sucesso e eficiência no comando desta pasta tão importante. Que tenha autonomia para atuar e trabalhar em defesa do cidadão”, disse, em comunicado nas redes sociais.
Para o deputado estadual Sargento Reginauro (União Brasil), é preciso interligação entre setores da gestão e que até o próprio governador deve adotar uma postura diferente.”A mudança se tornou inevitável. Deveria ter sido tomada já há bastante tempo. Porém, ela só resultará em mudanças efetivas, se houver uma postura diferente do próprio governador”.
E seguiu: “É necessário que ele tome para si a responsabilidade maior desse processo, pois o secretário sozinho, ou as forças de segurança, não serão capazes, sozinhas, de dar respostas para essa calamidade”, disse ao O POVO.
Apesar disso, ele desejou “sucesso” para o novo secretário. “Essa força tarefa, envolvendo poder executivo, legislativo, judiciário, ministério público, universidades, só poderá ser coordenada pelo próprio governador, sobre quem está depositada a competência primeira de gerenciar a segurança pública do estado”, apontou ainda. (colaborou Guilherme Gonsalves)
[Redação]
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