Os ecos da Paulista – Estadão

A primeira delas é que a direita, que nunca desapareceu, voltou a marcar terreno e posição em um novo ano eleitoral. Antes das eleições de 2014, quase nenhum candidato à Presidência afirmava ser uma força à direita do espectro político nacional. Em dez anos, a maioria das grandes manifestações sociais do país foram organizadas por liberais e conservadores. Ademais, a tentativa de associar tais atividades a algo extremista não se sustenta, pois, com exceção da revolta do dia 8 de janeiro de 2023, nunca houve violência sistêmica nos atos, diferentemente do que ocorria em movimentos nazifascistas.

Em segundo lugar, as manifestações da Paulista ecoaram os futuros sucessores do bolsonarismo, que ainda é um elemento importante da cultura política de direita no Brasil, mas não é o único. Nos discursos dos governadores e do próprio Bolsonaro não existe uma fala redentora de que o país foi refundado pelo ex-presidente. Ao contrário do lulismo, que fez da esquerda sua refém, o bolsonarismo elegeu políticos de diferentes matizes nos estados e, agora, prepara uma das maiores transformações políticas da Nova República.

A luta pelo Senado em 2026 será o maior desafio da direita nas futuras eleições, já que é no Senado em que o campo ainda está aberto e o próprio PT está extremamente preocupado com uma possível vitória arrasadora da direita, impulsionada pelas boas avaliações que os governos vêm tendo em diversos estados populosos da nação.

É provável que o PT opte pela escolha de senadores mais ao centro do que de seu partido, como uma forma de evitar uma possível ingovernabilidade em um quarto mandato presidencial de Lula. A situação pode se complicar ao ponto de Lula presidir, mas não governar o Brasil.

Os antigos teóricos da esquerda sempre defenderam as ruas como um lugar de ocupação de espaço para que as pautas sociais pressionassem o poder da burguesia nos parlamentos e presidências. Atualmente, no Brasil, as ruas e as revoltas pertencem à direita, que não temem mais em dizer seu nome.

Por: Estadão


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