“OS FILHOS DA RAINHA-MÃE, NO IMPÉRIO DE CURRAL DOS PATOS ”

(Esta é uma obra de ficção, portanto, qualquer semelhança com lugares, pessoas ou fatos presentes ou passados, terá sido mera coincidência. É fruto, portanto, da imaginação do autor)

Até agora não entendo o por que de alguns conselheiros da corte chiarem ao serem chamados de “filhos da Rainha-Mãe””, no reino de Curral dos Patos. Ora, não há o mínimo propósito em tal reação. Ao contrário dos que originaram o filme “Os filhos de Francisco”, no mundo real, onde são os dois “sertanejos”, Zezé e Luciano, que promoveram o pai, no caso em pauta, é a Rainha-mãe que promove os filhos, dai estranhar tal reação.

Foi através dela, que democraticamente age em relação aos seus, que surgiram duas princesas-consorte, em ilhas vizinhas ao reino, um ex-alcaide, candidato a ocupar sua própria vaga na Câmara dos Comuns e um deputado que ocupa cadeira na Câmara dos Lords, sem contar, é claro, com alguns bem sucedidos “enteados”, com ou sem mandatos que, bafejados pela sorte e pelo beneplácito da “Rainha-mãe”, se revezam em cargos importantes, resistindo ao tempo, a maioria deles já chegando ao cúmulo de permanecerem como secretários ou coisa parecida, desde que o primeiro dos herdeiros, o ex-alcaide, assumiu o comando do reino, alguns anos atrás.

Os mais antenados observadores acreditam que, justamente pela permanência desses “enteados” com poder vitalício de mando e desmando, é que a administração da Rainha-mãe, anda desgostando grande parte dos habitantes do reino, que esperavam menos coração e mais ação por parte do Poder Palaciano que, pela determinação conivente em mantê-los, está deixando de fazer uma administração arrojada, o que, parece, era a esperança destes hoje decepcionados concidadãos. Já comentam, inclusive, à boca pequena, que pesquisa recente – isso eu não confirmo, encomendada por alguém com interesse no problema, talvez, quem sabe, por integrantes da própria dinastia adversária -, teria detectado importante desgaste político do atual grupo dirigente, justamente pelo motivo de não ter dado uma sacudida no âmbito da administração, com a nomeação de caras novas, de especialistas competentes, em substituição aos já acomodados “enteados”, mantidos, apenas por amor e vitaliciamente nos cargos.

Outro grande motivo para que a grita dos conselheiros não ocorra, é muito simples. Durante uma campanha de vários meses, o nome aclamado efusivamente nas ruas, foi justamente o dela, ou seja, o de “mamãe”, como carinhosamente era chamada a futura monarca.

E aqui cabe uma advertência: cuidado, muito cuidado com o que dizem e com o que fazem. A “mamãe” de vocês, no que pese demonstrar um coração de manteiga derretida, que chora até mesmo quando é forçada a demitir súditos que ela própria – ou preposto seu – contrataram ao arrepio da Lei, sabendo plena e antecipadamente, dos riscos que esses serviçais corriam de ficarem sem o sagrado dinheiro da feira, no exato instante em que os ministros da Corte assim o determinassem, é também, ferozmente capaz de dar o troco aos rebeldes, na ocasião em que a nobreza se reunir para escolher seus conselheiros. Fiquem, pois, de orelhas em pé. Exemplos já há muitos por ai e, para provar a veracidade do comentário, basta-nos citar apenas um dos mais recentes e marcantes: o conselheiro da Corte, de nome José, membro da dinastia, de sangue azul, e antes benquisto e içado até à Primeira Voz no âmbito do Conselho, caiu em desgraça pela pratica de atos de rebeldia e, no que pese ter desempenhado um dos mais brilhantes trabalhos no legislativo, teve seu nome alijado do rol dos herdeiros e “filhos queridos” e foi obrigado, por força da rejeição imposta pelo sistema oficial da nobreza a qual pertencia, de mudar de atividade. Faz muita falta ao Conselho, mas isso é o que menos importa. Foi usado como amostra do que a nossa monarca é capaz, naquela de “quem não está comigo, mesmo que ocasionalmente, é contra mim e merece ser castigado.”.

As vezes, por conhecer de perto os atores de idênticas cenas políticas noutras plagas, fico a imaginar o risco que correm os conselheiros do reino, em sua maioria eleitos pelos votos abençoados pela Rainha-mãe, principalmente os mais jovens e inexperientes, que, vez por outra fazem beicinhos, pirraças e ameaçam transformarem-se em rebelados. Pense num risco grande que correm!

Na corte, onde, não restam dúvidas, há muita gente séria, ai incluída a própria monarca, há também os “bobos” que gravitam permanentemente em torno do trono e que somente servem para faze rir com piadas desengraçadas, afagar o ego da família real com elogios baratos, balançar suas cabeças como lagartixas, e concordar como tudo que venha de cima. Esses são inúteis no desenvolvimento de qualquer atividade, uns parasitas que abrem portas, levam recados e brigam na rua por qualquer insinuação, por menor que seja, e que faça alusão contrária a sua soberana.

Mas, há, também, os perigosos “babões” que vivem, exclusivamente, levando fuxicos. A esses, os dependentes de prestígio para futuras escolhas, têm que ter muito cuidado. Nunca conversem assuntos “perigosos” em suas presenças. Não façam quaisquer comentários que venham de encontro aos interesses do trono, por mais leves e insignificantes que sejam, pois estes poderão ser transformados em letal combustível que bombardearão suas pretensões futuras.

Portanto, tenham juízo. É melhor ser “filho” hoje, do que ser mais um deserdado amanhã. Lembrem-se que, para o seu lugar, há dezenas de súditos até mesmo menos competentes que vocês, esperando a hora de dar o bote e sentar em suas cadeiras.

Quem avisa amigo é.

EM TEMPO:

A propósito, o nome Curral dos Patos, dado ao fictício reino, segundo o antropólogo, sociólogo e pesquisador das coisas reais e aleatórias Josué Renildo de Malta, foi motivado pela característica da maioria de seus habitantes, que procedem como patinhos atoleimados e aparvalhados sempre que são chamados a opinar sobre a permanência ou não desta ou da outra única dinastia que a ela se sobrepõe, na alternância do Poder monárquico local.

José Augusto Longo


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