Impossibilidade científica
Outro medo que voltou a aparecer nos últimos dias foi a possibilidade de a própria vacina causar a covid-19.
Mas isso é absolutamente impossível, garante Ballalai.
“Os imunizantes são feitos com vírus inativado e nem por um milagre elas podem provocar a doença”, diz a médica.
Esse, aliás, é um mito recorrente, que aparece todos os anos durante as campanhas contra o vírus influenza, que costuma circular no período do outono e do inverno.
“O sujeito recebe a vacina e alguns dias depois apresenta sintomas de gripe. Ele então passa a acreditar que a culpa é da dose aplicada”, observa a especialista.
A explicação mais uma vez está no tempo necessário para ficar protegido: enquanto o sistema imune não finaliza a produção de anticorpos, o risco de se infectar com o influenza (ou o coronavírus, no exemplo atual) é alto.
A CoronaVac é feita a partir de vírus inativado, um modelo usado na ciência há muitas décadas.
Como o próprio nome já diz, os coronavírus presentes nas ampolas passam por um processo com substâncias químicas e mudanças de temperatura que o inativam e acabam com qualquer possibilidade de ele invadir as células e começar a se replicar dentro do nosso corpo.
Já a CoviShield aposta na tecnologia do vetor viral não-replicante. Em resumo, os cientistas pegaram um adenovírus (um outro tipo de vírus, que também não se replica e não faz nenhum mal à nossa saúde) e colocaram dentro dele informações genéticas do coronavírus responsável pela pandemia atual para suscitar uma resposta imune.
© Getty Images A CoronaVac é baseada na tecnologia do vírus inativado. Não existe a possibilidade de ela causar a covid-19
Cuidados e recomendações
É importante lembrar que os efeitos colaterais das vacinas são raros — mas eles podem, sim, acontecer.
“O indivíduo pode ter febre, mal-estar, um pouco de dor…”, exemplifica Ballalai.
Se os incômodos não forem embora após alguns dias ou fiquem ainda mais intensos, é importante buscar uma orientação médica.
Isso porque esses sintomas podem até ser causados pelos imunizantes, mas eles também são característicos da própria covid-19.
“Nunca ignore ou desvalorize sinais persistentes, pensando que eles são apenas uma reação à vacina. Se for o caso, procure um especialista para uma avaliação individualizada”, orienta a médica.
Até 25 de fevereiro, o Brasil vacinou cerca de 6,3 milhões de pessoas, o que corresponde a 3,6% da população.
O país com a imunização mais adiantada no mundo é Israel, que já protegeu 91% de seus habitantes.
Com 227,6 milhões de doses das vacinas contra a covid-19 administradas no mundo todo, por ora não há notícias sobre efeitos colaterais preocupantes que justifiquem uma paralisação nas campanhas.
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