Expectativa é que novas reduções nos combustíveis e derivados de petróleo voltem a ocorrer na próxima semana, matendo estratégia da estatal de fazer pequenos ajustes paulatinamente

Pedro Ventura/Agência BrasíliaVários botijões de gás cinzas e amarelos uns aos lados dos outros Botijão de gás de 13 quilos fica 6% mais barato nas refinarias da Petrobras nesta sexta0feira, passando a custar pouco mais de R$ 49

Especialistas ouvidos pela Jovem Pan acredita que a Petrobras está na direção correta ao reduzir semanalmente, de forma gradual, os preços dos derivados de petróleo no mercado interno brasileiro. A partir desta sexta-feira, 23, o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, de 13 quilos, fica 6% mais barato nas refinarias da estatal, passando a custar pouco mais de R$ 49.

No início desta semana, houve redução também no preço do litro do diesel e, na semana passada, no do litro da gasolina. Desde que o presidente Caio Paes de Andrade assumiu o comando da Petrobras, no final de junho, ocorreram sucessivas reduções nos preços por causa da conjuntura internacional, como o barril do petróleo do tipo brent, usado pela Petrobras como referência está operando na casa dos US$ 90, dependendo da volatilidade do mercado. Entretanto, ainda há muitas incertezas provocadas pela guerra da Rússia na Ucrânia. Se a decisão da empresa for mantida e o cenário internacional se mantiver com o mesmo comportamento, os especialistas afirmam que deverá haver novas reduções nos preços dos combustíveis na próxima semana.

Segundo Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, neste cenário, o mais natural é fazer ajustes nos preços semanalmente. “Essa estratégia de aplicar as reduções semanalmente em percentuais pequenos também me parece uma estratégia inteligente, comercial, dado que o preço dos derivados ainda está muito volátil no mercado internacional (…) Pode acontecer, no futuro, de ter um percentual muito grande a ser repassado na diminuição [do preço], mas também a recíproca é verdadeira, pode ser que o preço seja aumentado. E, se esse repasse não for feito de maneira paulatina, em pequenos percentuais, pode ser que, no futuro, a gente tenha um aumento muito grande dos preços”, afirma Rodrigues.

O economista Aurélio Valporto, presidente da Abradin, associação que reúne acionistas minoritários de empresas de capital aberto, concorda com a avaliação de Pedro Rodrigues, embora seja um crítico contumaz da política de paridade de preços adotada atualmente, e desde 2016, pela Petrobras. “A princípio, parece que devemos comemorar. Mas não é bem assim. A Petrobras tem cobrado muito mais alto para o Brasileiro, do que os preços praticados no mercado internacional.

O brasileiro paga cerca de 30% mais caro pelo gás do que o Alemão, que importa mais de 50% do seu gás da Rússia, um país em guerra. Por falar em Rússia, lá, o gás é cerca de 5% daquele praticado aqui no Brasil, ou seja, 20 vezes mais barato. A Petrobras acabou sendo pressionada pelo CADE [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] e pelo STF [Supremo Tribunal Federal], porque ela não tem seguido a sua própria política de preços, a PPI. O gás já deveria estar mais barato para o brasileiro há muito tempo”. defende Valporto.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga

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