“Toda a equipe trabalhando a noite toda. Alimentado pelo amor recebido do adorável povo do Brasil.” A afirmação veio seguida de três corações. Era uma mensagem publicada no Twitter, na última sexta (18), mas escrita pela equipe de outra rede igualzinha, um tipo de clone indiano.

Depois das demissões em massa promovidas por Elon Musk, o novo dono da rede do passarinho azul, os rumores eram de que o Twitter estava por um triz. Foi o suficiente para que os brasileiros acostumados a dar sua opinião e discutir por lá corressem para garantir um lugar na opção mais semelhante ao seu microblog de estimação (tão parecida que seu símbolo é um passarinho também, mas amarelo): o Koo.

Sim, se você acompanha redes sociais, já deve saber que esse é o nome do microblog asiático. No sábado, ele se tornou o aplicativo mais baixado do Brasil na App Store e na Playstore – e os influenciadores que dominam o Twitter já têm seus registros no novo espaço. 

As piadas, claro, não pararam até hoje. Leila Germano, tuiteira e influenciadora cearense, com 162,5 mil seguidores na rede original, escreveu: “Antigamente, xingamos muito no Twitter, agora vamos meter o pau no Koo”. E já viralizou o meme “Ninguém solta o Koo de ninguém” – uma paródia da frase muito repetida desde 2018, só que com a mão no lugar do Koo (desculpe, é inevitável), que afirmava a necessidade de união e resistência contra uma eventual perda de direitos com a eleição de Bolsonaro. 

Felipe Neto, que só no seu primeiro dia na nova rede já recebeu 135 mil seguidores, também brincou: “Olha, eu quero agradecer do fundo do coração a todas as pessoas que entraram no meu Koo hoje”.

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A rede é de Bangalore, sul da Índia, e foi fundada em 2020. A ideia era proporcionar uma alternativa indiana a um universo em que o inglês é dominante. Tanto que contempla línguas regionais, como hindi e kannada (idioma em que Koo significa “piu-piu”, mais uma evidência do “copia, só não faz igual” do app).

Mas, se a intenção era criar uma rede indiana para a Índia, o começo assustador de Musk à frente do Twitter fez com que os fundadores vissem uma excelente oportunidade de fazer frente ao aplicativo americano. A mensagem carinhosa para os brasileiros não foi à toa. O Koo ainda não fala português, mas sua equipe está correndo para fazer a inclusão do nosso idioma. E também para que sua estrutura suporte a chegada de tanta gente ao mesmo tempo. 

Só tem um problema: não é todo mundo que crê, realmente, que um cara bem-sucedido como Elon Musk vá arruinar o Twitter. 

Sua rede é uma praça pública onde políticos se expressam, jornalistas informam e se informam, torcedores de futebol criticam os times dos outros, e seus próprios… um cidadão comum entra em contato direto com seu artista preferido e, vira e mexe, é respondido. Hoje tem cerca de 329 milhões de usuários no mundo, com a tendência de chegar a 340 milhões em dois anos. Para efeito de comparação, a rede asiática contabilizava 50 milhões de downloads antes da “onda brasileira”.

Tanto é assim que outra brincadeira corrente no Twitter agora é avisar aos indianos que não mexam tanto no Koo para abrigar os novos usuários. Porque o mais provável é que eles não usem o passarinho amarelo. 

E vamos parar com os trocadilhos por aqui, porque uma hora perde a graça (ainda não perdeu).

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