Trabalhadores em setores essenciais no dia a dia asseguram com a coleta de lixo, nas farmácias e nos supermercados o necessário isolamento dos brasileiros
Publicidade
Numa cidade inteira confinada para se proteger contra o avanço do novo coronavírus, muitos trabalhadores têm de enfrentar o perigo da contaminação, sem o direito de se ausentar de suas atividades, consideradas essenciais, para que as pessoas atendam à determinação das autoridades de saúde para ficar em casa. Decreto baixado pela Prefeitura de Belo Horizonte proibiu o funcionamento do comércio em geral, mas os serviços de limpeza urbana, farmácias, supermercados e postos de gasolinas, entre outros, permanecem operando no dia a dia. Ainda que desprotegidos no contato direto com os clientes, esses trabalhadores seguem cartilha dos empregadores para manter a segurança.
Há empresas que fornecem máscara, luvas e álcool em gel. Contudo, nem sempre isso ocorre. A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de BH informou ter tomado algumas providências urgentes em virtude da pandemia do novo coronavírus para “garantir a proteção da saúde pública e o cuidado com aqueles que precisam trabalhar no recolhimento de resíduos”. A coleta domiciliar de lixo comum continua sendo prestada normalmente nos dias e horários já estabelecidos, em todas as regiões da cidade.
Gari de uma das equipes de varrição na região hospitalar da capital, que preferiu não se identificar, disse à reportagem do Estado de Minas ter recebido orientações da empresa prestadora do serviço à PBH, mas admitiu que o álcool nem sempre está disponível e nem água. “Estamos em movimento, e quando não dá para chegar até o caminhão pedimos ajuda aos comerciantes ou moradores mais próximos para lavar as mãos e sempre somos muito bem atendidos”, conta.
Publicidade

Além de vender medicamentos, Márcio Luiz esclarece clientes sobre sintomas da CoVId-19(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Ele disse ainda que foi orientado a evitar tocar ou ficar próximo a outras pessoas, recebeu informações sobre as condições de contágio e a troca de uniformes. “Devemos trocar de roupa na chegada e saída do trabalho e não ir de uniforme para casa”, contou. Agora, os garis estão se dirigindo diretamente aos pontos de início de coleta nos bairros – antes, partiam da sede das empresas e eram transportados em vans ou cabines de caminhão. O mesmo ocorre com os de varrição. O uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas, bonés e botas, é obrigatório.
Aliados aos setores da saúde, da informação, da segurança pública, os garis estão por toda parte garantindo à população que a situação não se agrave ainda mais. A coleta de lixo, a capina e a limpeza de espaços públicos estão garantidas por um exército de quase 3 mil funcionários, segundo a SLU. Apenas as coletas seletivas porta a porta e ponto a ponto (Pontos Verdes) foram interrompidas desde ontem, segundo a superintendência, para evitar o manuseio dos resíduos durante a triagem do material reciclável nos galpões das cooperativas e associações parceiras do município.

O serviço de limpeza urbana não para, mas nem sempre os garis têm álcool em gel e água para higienização(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Se o volume de lixo recolhido em vias públicas reflete a queda momentânea da circulação de pessoas e veículos, a coleta domiciliar apresenta aumento significativo, com mais gente dentro do que fora de casa. O serviço de limpeza municipal recomendou às empresas que os uniformes dos garis sejam higienizados diariamente (a troca diária já é obrigatória) e, portanto, substituídos com maior frequência para diminuir a chance de contaminação. De acordo com a SLU, as prestadoras de serviço contratadas estão reservando nos caminhões kits com água e sabão para os garis e motoristas e orientando sobre o reforço dessa higienização. Recomendou ainda que disponibilizem álcool em gel às equipes, mas reconhece que há limitação em função da enorme procura pelo produto no mercado.
Prevenção No comércio liberado pela prefeitura – das farmácias e supermercados –, a realidade de proteção contra o coronavírus não é a mesma em todas as empresas. O EM apurou que várias firmas prometem distribuir máscaras de proteção para todos os trabalhadores, mas não cumprem a medida.
Uma das principais padarias na área central da capital vem fazendo reuniões diárias para discutir a atual crise e propor soluções para contornar o problema. Além de afastar cinco dos 60 funcionários que estão no grupo de risco de contaminação da COVID-19, a empresa investiu na higienização de balcões e utensílios dentro do estabelecimento e treinou os empregados.
A padaria também reduziu o horário de funcionamento, encerrando o expediente às 20h diariamente, para tentar manter os funcionários o maior tempo possível em casa. Em um supermercado da Zona Sul da cidade, os empregados também estão sendo orientados sobre os cuidados para evitar a contaminação. Aos 18 anos, o operador de caixa Luiz Eduardo Pires de Oliveira conta que está tomando medidas preventivas e que a empresa fornece álcool em gel para higienização a cada compra registrada. “Estou me prevenindo ao máximo. Quando chego em casa já vou para o banho e retiro a roupa para lavar”, afirma.
Com informações do Estado de Minas
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




