O Ministério da Agricultura teve mais um registro recorde para o agronegócio brasileiro. Por meio do setor, o país faturou quase US$ 123 bilhões com as exportações realizadas entre janeiro e setembro. Para chegar ao montante, cerca de 200 países receberam alimentos e itens diversos elaborados a partir de outras matérias-primas do campo.

Sem enxergar diferenças

O envio de produtos atende tanto aos capitalistas norte-americanos quanto aos comunistas chineses. Não há distinção nem sequer por religião. Do mesmo modo que o setor abastece os judeus de Israel e os católicos no Vaticano, ele também fornece comida a hindus na Índia, budistas no Nepal e diversos países islâmicos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbia, etc.

Boa parte dos turistas que vão para a Copa do Mundo do Qatar deve comer, por exemplo, carne de frango brasileira vendida ao país de maioria muçulmana. Ao longo do ano, cerca de 83 milhões de quilos desse tipo de proteína já foram enviados do Brasil para lá.

Os cataris, entretanto, nem sequer estão no top dez dos países que compraram carne de frango do Brasil. Atualmente, a China é o maior cliente brasileiro: 410 milhões de quilos ao longo deste ano. Nas segunda e terceira posições aparecem os Emirados Árabes Unidos (350 milhões de quilos) e o Japão (315 milhões de quilos).

A lista é composta por cerca de 160 destinos, contando países e territórios autônomos. Entre eles, Taiwan — que não aceita se submeter ao governo chinês. Ou seja: o agronegócio do Brasil não exclui ninguém entre as populações que precisam importar comida. De janeiro a setembro de 2022, os produtores brasileiros enviaram 3,5 bilhões de quilos de proteína de frango ao mundo.

O carro-chefe

Somando todos os produtos, o agronegócio do Brasil exportou quase 180 milhões de toneladas ao redor do globo. O carro-chefe é o complexo da soja, formado pelo grão in natura, além do óleo e do farelo. Por volta da metade de todos os embarques feitos no solo brasileiro.

Mais uma vez, a China é o principal comprador: 47 milhões de toneladas, aproximadamente. Os clientes, porém, não se limitam ao gigante. Mesmo fazendo críticas, a União Europeia não abriu mão da soja brasileira. Somados, os 27 países-membros do bloco formaram o segundo destino dos envios do complexo da soja do Brasil para o mercado externo: 13 milhões de toneladas.

Nem mesmo a França ficou de fora. O país governado por Emmanuel Macron ficou no quinto lugar entre os importadores do complexo da soja do Brasil e 14º na lista composta por uma centena de destinos.

E ainda tem mais

Além disso, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que o agronegócio brasileiro é o principal fornecedor global de diversos itens. Conforme dados da pasta, o país lidera as exportações globais de soja, milho, café, carne bovina e frango, açúcar e suco de laranja em 2022.

Essa posição vem acompanhada da liderança em preservação. Dois terços de todo o território estão preservados. Em média, as áreas de conservação brasileiras cobrem por volta de 50% das áreas agrícolas. Em média, os produtores rurais brasileiros preservam 50% de sua propriedade — a porcentagem, determinada por lei, varia de acordo com o Estado: em São Paulo, por exemplo, são 20%; na Amazônia, 80%. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do planeta.

 

Reconhecimento internacional

A legislação é tão abrangente que é elogiada internacionalmente mesmo pelos blocos mais exigentes. Um caso recente ocorreu durante entrevista concedida por Ignacio Ybá, embaixador da União Europeia no Brasil, à Edição 127 da Revista Oeste.

“Reconhecemos que o marco legal do Brasil, em particular o Código Florestal, é muito positivo”, comentou o diplomata. “A legislação ambiental brasileira é exemplar”.

Quando o assunto é ESG, a sigla que passou a ser usada recentemente para classificar empresas que prezavam pela preservação ambiental e pela sustentabilidade, a produção rural do país já toma todas as práticas por exigência legal. Falta apenas um sistema capaz de manter o histórico comprovando as boas práticas, conforme explica Nelson Ananais, coordenador de Sustentabilidade da Confederação Nacional da Agricultura.

“O ESG no agronegócio do Brasil não é algo para a próxima década, é uma ação que vem sendo trabalhada há pelo menos dez anos com desenvolvimento sustentável da agricultura, da garantia da segurança alimentar atrelada à preservação ambiental e a conformidade com as leis trabalhistas e com as questões sociais”, explica. “A gente já vem cumprindo a agenda ESG há quase dez anos com o desenvolvimento da agricultura de baixo carbono, há 40 anos com Código Florestal e há 50 anos com a transformação do Brasil em um país que garante a própria segurança alimentar e ainda exporta alimentos.”

A grande verdade

Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que o Brasil alimenta, pelo menos, 800 milhões de seres humanos ao redor do planeta. Ou seja: mais de 10% da população mundial. O país consegue fazer isso de modo tão eficiente e barato que desponta como a grande potência para garantir segurança alimentar ao mundo.

E mesmo com essa posição de expansão,  ainda existe potencial nacional para aumentar a quantidade de alimentos que produz sem expandir a área ocupada pela agropecuária. A chave desse processo é a técnica de Integração Lavoura-Floresta-Pecuária, defendida pela Embrapa. Por meio desse manejo, faz-se a rotação entre agricultura e pecuária para a melhoria para otimização da produção e recuperação de áreas degradadas.

Ao conhecer esse modelo de produção, em 2021, o inglês Alok Sharma, que presidiu a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas daquele ano, disse que o mundo precisa dessa inovação. “Estou falando aqui da Embrapa Cerrados, nos arredores de Brasília, onde tecnologias inovadoras e de baixo carbono estão ajudando a aumentar a produtividade agrícola brasileira ao evitar o desmatamento prejudicial e criando empregos verdes para os brasileiros”, afirmou em vídeo publicado no Twitter .

Diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala disse que o mundo precisa da agricultura brasileira. A fala ocorreu quando ela visitou o país em abril deste ano.

“Eu sei que o mundo não sobrevive sem a agricultura brasileira”, disse Ngozi, durante um encontro com a Frente Parlamentar da Agropecuária. “Precisamos pensar nos desafios futuros, não só do Brasil, mas do mundo todo. Estou animada sobre o que o Brasil tem a dizer sobre a área ambiental e as tecnologias produtivas com potencial de descarbonização.”





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