Apesar do avanço dos pagamentos eletrônicos, os velhos talões ainda resistem, especialmente para parcelamento de compras de maior valor e longe dos grandes centros

Num universo em que as fintechs dominam o noticiário e dados mostram a elevada adesão dos brasileiros a soluções digitais como o Pix, falar em cheque pode parecer um tema ancestral. Mas a velha folhinha numerada e assinada resiste na economia brasileira. O comerciante Paulo da Silva é um dos que não pode abrir mão do velho modelo de pagamentos. Em sua loja de material de construção, localizada em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, é possível comprar cimento, areia e revestimentos usando o bom e velho cheque. Silva não é avesso à tecnologia. Apenas quer atender bem a freguesia. “O cliente consegue pré-datar e não compromete o limite do cartão de crédito com uma conta alta”, afirmou. Cauteloso, ele só recebe as folhinhas de pessoas conhecidas, para evitar calotes. Há uma segunda situação em que o uso de cheques é comum: quando o perfil etário do cliente é elevado. Caso da fisioterapeuta Cleci Rojanski. A maioria de seus clientes de pilates paga usando Pix. “Só recebo cheques de duas clientes idosas”, disse ela.

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A pandemia e a introdução do Pix aprofundaram uma queda que vem ocorrendo desde a estabilização da economia. A iniciativa do Banco Central (BC) de democratizar os meios de pagamento e reduzir os custos bancários rendeu frutos. A solução, lançada em novembro de 2020, já se firmou. Foram 7 bilhões de transações no primeiro ano, movimentando R$ 4 trilhões. Desde sua implantação, a aprovação do Pix subiu de 76% para 85%, e ele tem a adesão de 71% dos brasileiros, segundo a edição mais recente do boletim Radar Febraban.