A cena foi descrita em matéria de hoje do jornal Washington Post: policiais e militares entram num centro comercial de Moscou e separam os homens. Qualquer um. “Alguns músicos que ensaiavam. Um carteiro entregando uma encomenda. Um funcionário público cinquentão, muito bêbado, com problemas para caminhar”.

Todos eles foram levados para o posto de alistamento mais próximo. Assim está sendo realizada a nova fase de recrutamento de soldados para lutar na Ucrânia, invadida pela Rússia em 24 de fevereiro. Segundo a matéria, não há limites para o recrutamento: “Eles aracam nas ruas e do lado de fora das estações de metrô. Eles espreitam nos lobbies dos prédios de apartamentos para distribuir convocações militares. Eles invadiram prédios de escritórios e hostels. Eles invadiram cafés e restaurantes, bloqueando as saídas”.

Na quinta-feira passada, recrutadores invadiram os dormitórios de uma empresa de construção e levaram mais de 200 homens. No dia 9, cercaram um abrigo para moscovitas sem-teto. “Ao sofrer um grande número de baixas e seguidas derrotas na Ucrânia, a Rússia começou a canibalizar sua população masculina”, diz a matéria do Washington Post. “Mas a nova fase da mobilização de Putin ameaça desgastar o apoio à guerra e mesmo sua fabricada popularidade – e pode provocar distúrbios”.

Mais de 300 mil homens russos e suas famílias já fugiram da Rússia desde o início da mobilização. 2.700 dos convocados já consultaram a organização conhecida como “Vá Pela Floresta”, que orienta quem não quer participar da guerra. Uma dessas orientações é se entregar às tropas ucranianas.





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