Milhares de pessoas foram às ruas para manifestar indignação contra a morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi presa e morta em Teerã, capital do Irã, por não usar o hijab — véu obrigatório que cobre a cabeça de mulheres muçulmanas.

Segundo o chefe de polícia, Hossein Rahimi, a iraniana foi detida por usar “calças apertadas” e lenço na cabeça de forma “inadequada”. Mahsa Amini viajou para Teerã com sua família na semana passada. Ela morreu na sexta-feira 16, vários dias depois de sofrer uma parada cardíaca.

O caso tomou proporções gigantescas. Para milhares de iranianas, Mahsa foi espancada ou de alguma forma maltratada pela polícia. O pai da jovem informou que ela não apresentava problemas de saúde antes da prisão.

Depois da morte de Mahsa Amini, milhares de iranianos compartilharam nas redes sociais vídeos de multidões protestando contra a violência policial no país. A repressão das autoridades afeta sobretudo as mulheres, que, desde 1979, são forçadas a usar o lenço na cabeça.

As imagens mostram manifestantes gritando: “Mulheres, vida, liberdade”. Outros registros capturam cenas de briga com a polícia e de pessoas segurando cartazes escritos “Morte ao ditador”. Circulam ainda vídeos de iranianas queimando os hijabs e cortando o cabelo em público.

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, ordenou um inquérito para investigar a causa da morte da jovem. Segundo informações da imprensa estatal, o chefe de Estado telefonou para os pais de Mahsa, para expressar condolências. “A filha de vocês era como minha filha”, teria dito.

Punição extrema

O governo do Irã planeja usar tecnologia de reconhecimento facial em locais públicos para identificar e reprimir mulheres que não estejam cumprindo a nova lei sobre o uso de hijab.

A medida foi aprovada pelo presidente do país, Ebrahim Raisi, em 15 de agosto, quase um mês depois do “Dia do Hijab e da Castidade”, data comemorativa marcada por protestos. Na ocasião, mulheres iranianas publicaram vídeos nas redes sociais sem o véu islâmico em ônibus e trens.

“O governo iraniano há muito brinca com a ideia de usar o reconhecimento facial para identificar pessoas que violam a lei”, afirma Azadeh Akbari, pesquisador da Universidade de Twente, na Holanda, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “O regime combina formas violentas ‘antiquadas’ de controle totalitário vestidas com novas tecnologias.”





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