Quando o nome do escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao Senado nesta quinta-feira (20/11), a oposição já estava montando seu arsenal para implodir a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Senadores bolsonaristas afirmam, nos bastidores, que apostarão em dois pontos para convencer os pares a votar contra.
O primeiro é o caso do “Bessias”. Há nove anos, Messias trabalhava como procurador da Fazenda e foi citado dessa maneira, com o “B” no lugar do “M” na inicial do seu nome, na conversa grampeada entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula, no âmbito da Operação Lava Jato. O diálogo foi divulgado pelo então juiz Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná.
O episódio ocorrido em 2016 estremeceu a República. Na ocasião, Dilma avisou a Lula que “o Bessias” estava indo ao seu encontro com a nomeação do petista para a Casa Civil, algo que deveria ser usado “em caso de necessidade”. A interpretação é que a presidente deixou a nomeação “em ponto de bala” para ser usada em caso de necessidade de foro especial para o aliado.
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Lula e Jorge Messias
Reprodução / Redes sociais
O AGU Jorge Messias
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto
O AGU Jorge Messias
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto
Os ministros Jorge Messias e Rui Costa
Reprodução
Lula com o ministro da AGU, Jorge Messias
Ricardo Stuckert / PR
A jogada não prosperou por causa de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que derrubou, em liminar, o termo de posse de Lula. O magistrado afirmou, na ocasião, que o deslocamento do foro naquelas circunstâncias “poderia configurar fraude à Constituição”.
Outro ponto a ser explorado pela oposição é a farra no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O grupos destacará a escolha da Advocacia-Geral da União (AGU) de excluir duas associações supostamente envolvidas no desvio de dinheiro de aposentados nos pedidos de bloqueio de recursos.
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Tratam-se do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), cujo vice-presidente é José Ferreira da Silva, irmão de Lula, e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Os caciques da oposição querem utilizar a escolha para acusar o AGU de omissão e apontar que, uma vez no STF, continuaria sendo leal ao petista.
Resistência a Messias
O escolhido por Lula enfrenta um cenário inédito e difícil para conseguir os 41 votos no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem deixado claro que seu favorito para o STF é o antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e não deve mover um dedo para facilitar o caminho do AGU para a Suprema Corte.
O governo tenta contornar a situação e ainda acredita ser possível convencer Alcolumbre a ajudar. A avaliação do Planalto é que, se o presidente ou o ex-presidente do Senado decidirem fazer campanha contra, a Casa pela primeira vez na história rejeitará um indicado ao STF.
[Metrópoles]
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