“O mundo é desigual, no meu país tem 120 milhões de pessoas que estão passando fome”, disse Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. Entretanto, ela parece se referir a um país diferente do Brasil — que fornece alimentos para a população local e ainda exporta comida para outras nações.

A fala ocorreu na última segunda-feira, 16, em Davos, durante o primeiro dia do Fórum Econômico Mundial para o que o diplomata norte-americano John Kerry chamou de um “grupo seleto de seres humanos”.

Os 120 milhões citados pela ministra equivalem a uma população próxima ao número de habitantes de países como Japão e o México. Contudo, segundo o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, entre 2,5% e 5% dos brasileiros estão em condição de subnutrição. Ou seja: por volta de 5 milhões a 10 milhões de habitantes do “país de Marina”.

Produção de alimentos no Brasil

A verdade é que o Brasil é um dos maiores fornecedores de alimentos do planeta, e isso sem deixar de abastecer a população local. Em carnes, por exemplo, o agronegócio nacional ofertou 20 milhões de toneladas para o mercado interno em 2021, somando proteínas de origem bovina, suína e de frangos.

Desse modo, a disponibilidade desse item para os consumidores brasileiros ficou em quase 100 quilos por ano para cada habitante, conforme os dados da Companhia Nacional de Abastecimento. Essa quantidade equivale a cerca de 260 gramas diárias.

Ainda falando de proteína animal, as granjas brasileiras produziram por volta de 55 bilhões de ovos em 2021. Desse modo, por volta de 260 ovos para cada habitante por ano. E no mesmo período houve a ordenha de 31 bilhões de litros de leite.

Além disso, há a colheita de alimentos vegetais. Da mistura favorita do Brasil, arroz e feijão, a safra de 2021 soma praticamente 15 milhões de toneladas: o que equivale a quase 200 gramas dos grãos antes de serem cozidos e hidratados. De batata e mandioca, por exemplo, são mais aproximadamente 300 gramas por dia. De trigo, mais 100 gramas diárias.

E a agricultura brasileira também produz diversos outros itens como frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, café e os carros-chefes da produção local: milho e soja. Juntos, esses dois grãos forneceram 125 milhões de toneladas de alimentos ao mercado interno, que serviram para a fabricação de produtos como farinhas, óleos, insumos industriais e até rações animais.

Caminho inverso

Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entregar a direção da Conab — umas das mais importantes instituições federais da agropecuária nacional — ao deputado estadual Edegar Pretto (PT-RS). O parlamentar é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, organização hostil ao grande fornecedor de alimentos do Brasil: o agronegócio.

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