Prefeito de Cabedelo afastado: Edvaldo Neto é suspeito de desviar R$ 273 milhões

Investigação aponta ‘consórcio político-criminoso’ na prefeitura

O prefeito de Cabedelo, na Paraíba, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira, 14. A medida judicial é parte de uma operação conjunta do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Federal, que busca desarticular um suposto esquema de fraudes em licitações na prefeitura. Edvaldo Neto é suspeito de ter viabilizado desvios de recursos públicos que podem alcançar a impressionante marca de R$ 273 milhões.

Trajetória política e eleição suplementar

Edvaldo Neto estava à frente da prefeitura de forma interina desde 2025. Ele foi eleito em eleição suplementar realizada no último domingo, 12. Essa eleição ocorreu após a cassação do prefeito anterior, André Coutinho (Avante), e da vice, Camila Holanda (PP), pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Os motivos da cassação foram irregularidades no processo eleitoral de 2024, incluindo acusações de compra de votos e envolvimento com facções criminosas, alegações que ambos negam.

Na disputa pela prefeitura, Edvaldo Neto conquistou 61% dos votos, superando o delegado da Polícia Civil Wallber Virgolino (PL). Antes de assumir a gestão municipal, Edvaldo Neto ocupava a presidência da Câmara Municipal de Cabedelo. Sua carreira política inclui ter sido eleito vereador em 2020, pelo Republicanos, e reeleito em 2024, pelo Avante.

Esquema investigado e a ‘Tropa do Amigão’

A operação que resultou no afastamento de Edvaldo Neto investiga um complexo esquema de fraudes em licitações. De acordo com as informações dos investigadores, a administração municipal de Cabedelo teria sido capturada pela facção criminosa “Tropa do Amigão”, que é apontada como um braço do Comando Vermelho na região.

As apurações indicam a existência de um ‘consórcio político-criminoso’. Este grupo seria formado por agentes públicos, empresários e integrantes do Comando Vermelho. O objetivo, segundo a investigação, seria utilizar contratos públicos como ferramenta para exercer poder, obter financiamento e manter controle territorial.

O modus operandi do esquema envolveria a empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda. Esta empresa teria sido usada para inserir indicados da facção na máquina pública. Contratações seriam direcionadas e desvios de recursos disfarçados como pagamento de mão de obra. Em contrapartida, a facção garantiria o domínio territorial, oferecendo estabilidade política e redução de conflitos armados.

O Ministério Público também aponta evidências de um sistema de ‘troca’ entre a facção e a gestão municipal, com a oferta de apoio territorial em troca de cargos e contratos.


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