Prefeito de Cabedelo Afastado: Esquema Usava Terceirizadas Para Contratar Ligações de Facção
Investigação da Polícia Federal aponta desvio de R$ 270 milhões e envolvimento de gestores públicos com o crime organizado.
O Prefeito Afastado e a Estrutura do Esquema
O prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), que assumiu o cargo há poucos dias após eleição suplementar, é o principal suspeito de integrar um esquema criminoso que utilizava empresas terceirizadas para **empregar pessoas ligadas a uma facção criminosa** na estrutura da prefeitura. A operação da Polícia Federal, autorizada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, investiga um **desvio de R$ 270 milhões** e a conexão entre o poder público e o crime organizado.
De acordo com a decisão judicial, a **Prefeitura de Cabedelo** se tornou um instrumento logístico e financeiro para o crime. Recursos públicos destinados a postos de trabalho terceirizados eram desviados para financiar a organização criminosa e pagar propinas a agentes políticos. Uma “folha de pagamento paralela” teria sido implementada para facilitar essas operações ilícitas.
Fraude em Licitações e Empresas Intermediárias
O cerne do esquema, segundo a Justiça, girava em torno de empresas terceirizadas, com destaque para a Lemon Terceirização e Serviços Ltda. A prefeitura realizava contratações por meio de licitações que são **suspeitas de serem fraudadas ou direcionadas**, garantindo a vitória de empresas específicas, mesmo quando apresentavam propostas menos vantajosas. A desclassificação deliberada de concorrentes, com pareceres jurídicos que davam aparência de legalidade, era uma prática comum.
Uma vez firmados os contratos, essas empresas terceirizadas serviam como fachada para a contratação de indivíduos indicados por uma facção criminosa, identificada como a “Tropa do Amigão”, um braço do Comando Vermelho na Paraíba. A indicação partia da liderança do grupo, sendo operacionalizada por intermediários e servidores públicos que recebiam currículos e efetivavam as contratações.
A Rede de Envolvidos e as Consequências
A decisão judicial detalha os papéis de diversos envolvidos. Edvaldo Neto, como prefeito, teria garantido a continuidade do esquema e a manutenção dos contratos. O ex-prefeito Vitor Hugo é apontado como o articulador inicial, responsável por firmar o pacto com a facção. A atual secretária de administração, Josenilda Batista dos Santos, é descrita como o braço operacional interno, recebendo indicações e atuando na fraude de licitações.
O procurador-geral do município, Diego Carvalho Martins, teria dado suporte jurídico ao esquema, com pareceres para favorecer a Lemon. Luciano Junior da Silva, dono de empresas, controlava o “hub de empresas” utilizado pela facção. A estrutura formal da administração municipal, conforme as palavras do desembargador, “teria sido convertida em um instrumento logístico e financeiro do crime organizado”. A operação resultou no afastamento de Edvaldo Neto e Josenilda Batista, além de outras proibições de acesso às dependências da prefeitura.
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