Com a intenção de se proteger de execuções financeiras de bancos estrangeiros, a Americanas, uma das maiores varejistas do país, apresentou nesta quarta-feira, 25, um pedido de extensão dos efeitos da recuperação judicial nos Estados Unidos. O processo solicitado é conhecido com “Chapter 15“, de acordo com o documento.

“A Americanas informa que pediu extensão aos Estados Unidos dos efeitos de proteção (notadamente a suspensão de pagamentos a credores) assegurados em seu processo de recuperação judicial no Brasil, o que é chamado de Chapter 15”, informou a empresa, em nota. “A companhia reitera que não entrou com pedido de recuperação naquele país.”

O pedido vem depois de a Americanas ter protocolado o pedido de recuperação judicial. A medida é uma “trégua” que a empresa pede à Justiça, para não pagar suas dívidas enquanto tenta se recuperar.

A dívida da companhia chega a R$ 43 bilhões e envolve credores financeiros, trabalhistas e fornecedores. O pedido é o quarto maior caso já registrado no país, perdendo apenas para as recuperações judiciais da Odebrecht (R$ 80 bilhões), da Oi (R$ 65 bilhões) e da Samarco (R$ 65 bilhões).

Rombo fiscal na Americanas

Na noite de quarta-feira 11, a Americanas anunciou a descoberta de um rombo de R$ 20 bilhões no balanço contábil da companhia. A revelação caiu como uma “bomba” entre os investidores. Em fato relevante divulgado ao mercado, o CEO da Americanas, Sergio Rial, que estava no comando da varejista havia nove dias, renunciou ao cargo. Ele é um dos executivos de maior prestígio do país.

Na quinta-feira 19, a Justiça do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial do gigante do varejo. O juiz Paulo Assed Estefan, da 4ª Vara Empresarial do Rio, deu 48 horas para que a empresa apresentasse a lista completa de credores e os detalhes da dívida. A Americanas declarou dívidas de R$ 43 bilhões, com um total de 16,3 mil credores. Até o terceiro trimestre de 2022, data do balanço financeiro mais recente, a empresa informava ter um endividamento bruto de R$ 19,3 bilhões.

Conhecida no mercado, a Americanas é uma das maiores redes varejistas da América Latina. É controlada pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Estão em curso investigações para saber se houve uma fraude nas contas da companhia.





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