Tristeza no Santiago Bernabéu. O torcedor do Real Madrid se despediu nesta sexta-feira, 19, de um de seus grandes ídolos recentes, o volante brasileiro Casemiro, confirmado como reforço do Manchester United. Em nove anos de casa, ele ergueu 18 troféus, incluindo cinco Ligas dos Campeões. Com sua saída, também chega ao fim um memorável trio de meio-campo, para muitos o maior de todos os tempos, ao lado do alemão Toni Kroos e do croata Luka Modric. 

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Ironicamente, o primeiro a sair foi justamente o mais novo (Casemiro tem 30 anos, Kroos, 32, e Modric, 36). O acordo foi sacramentado por cerca de 60 milhões de euros (312 milhões de reais na cotação atual), além de um contrato até 2027. O Real Madrid já realizou uma série de postagens de agradecimento ao jogador da seleção brasileira. No entanto, ninguém sentirá tantas saudades de Casemiro quanto Modric e Kroos.

Ainda que todos tenham enorme qualidade para sair jogando, era Casemiro quem dava a maior sustentação defensiva para que Kroos e Modric pudesse reger o Real Madrid. Em recente entrevista ao diário As, o jogador revelado no São Paulo revelou como o trio é tratado de forma carinhosa pelo presidente do clube, Florentino Pérez.

“Ele nos chama ‘Os Três Tenores’. Kroos, Modric e eu ganhamos o direito de ser lembrados por muitos anos”, disse, citando a alcunha do trio de cantores líricos Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. Numa época em que a Liga espanhola exaltou seus trios de ataque — o MSN, Messi, Suárez e Neymar, pelo Barça, e o BBC, Bezema, Bale e Cristiano no Madrid — os tenores foram igualmente fundamentais para as glórias recentes do gigante espanhol. 

Em campo, Casemiro, Kroos e Modric ergueram 16 taças juntos. Modric foi o primeiro a chegar, em 2012, depois Casemiro, no ano seguinte, e Kroos em 2014. O entendimento passou a ser total a partir de 2016, ano da primeira Liga dos Campeões com os três juntos. O momento coincidiu justamente com o fim de outro histórico trio de meias, o do Barcelona, formado por Sergio Busquets, Xavi Hernández e Andrés Iniesta, multicampeão também pela seleção espanhola.

Busquets, Xavi e Iniesta durante treino da Espanha em Curitiba, na Copa de 2014
Busquets, Xavi e Iniesta durante treino da Espanha em Curitiba, na Copa de 2014 David Ramos/Getty Images
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O que no início poderia soar absurdo, foi ficando cada vez mais plausível. Sim, com a arrancada de conquistas do Real Madrid (foram quatro Champions nos últimos seis anos), Casemiro, Modric e Kroos se equipararam ao trio do Barça. Em números frios, e focando apenas na carreira por clubes, as lendas da Catalunha somaram, juntos, 21 taças, contra 16 dos ídolos da capital.

Pesaram a favor de Busquets, Xavi e Iniesta a diferença de títulos espanhóis (5 a 3) e Copas do Rei (3 a 0). Nos torneios mais importantes, porém, o “CKM” leva a melhor: são quatro Mundiais de Clubes e quatro Champions, uma a mais que os rivais em cada competição.

Levando em conta a carreira de todos, incluindo jogos por seleção e outras equipes, também há equilíbrio: juntos, Casemiro, Kroos e Modric somam 226 gols e 354 assistências; já Busquets, Xavi e Iniesta têm 242 tentos e 483 passes para gol. Xavi, atual técnico do Barça, é o líder em ambos os quesitos, com 120 gols e 238 assistências. Ao longo da história, certamente outros trios, duplas ou quartetos de meio-campistas também marcaram época, mas não com tantas façanhas coletivas.

A carreira dos trios (dados somados, entre todos os clubes e seleções)

Casemiro: 47 gols e 42 assistências
Modric: 92 gols e 143 assistências
Kroos: 87 gols e 169 assistências

Somados: 226 gols e 354 assistências

Xavi: 120 gols e 238 assistências
Iniesta: 102 gols e 193 assistências
Busquets: 20 gols e 52 assistências

Somados: 242 gols e 483 assistências

Ao deixar o Real Madrid, Casemiro abre mão de lutar por um recorde, já que o United não disputará a Liga dos Campeões nesta temporada. Com cinco títulos (2014, 2016, 2017, 2018 e 2022), ele tem apenas um a menos que o recordista de conquistas da história da Champions, o espanhol Paco Gento, ex-atacante do clube entre os anos de 1953 e 1971, morto em janeiro aos 88 anos, que conquistou seis.

A marca de seis “Orelhudas”, no entanto, pode ser conquistada por cinco ex-colegas de Casemiro no Real Madrid: justamente seus inseparáveis parceiros Modric e Kross (um dos títulos do alemão é pelo Bayern de Munique), além de Nacho Fernández, Carvajal e Karim Benzema.

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