Cristiano, Messi e Fabregas na capa da edição de maio de 2008
Cristiano, Messi e Fabregas na capa da edição de maio de 2008 //Reprodução

Dentro de exatamente um mês, terá início a quinta e muito provavelmente última Copa do Mundo de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. A dupla que dominou o futebol mundial no século XXI, quebrando recordes e colecionando Bolas de Ouro, chama a atenção de PLACAR desde seus primórdios na elite europeia. Sempre esteve claro: o argentino e o português eram especiais. Em 2008, época em que Kaká e Ronaldinho Gaúcho começavam a perder fôlego, a revista decidiu apostar nos craques do futuro e acabou incluindo um nome que não vingou tanto quanto se esperava: o espanhol Cesc Fabregas.

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O meia espanhol teve uma carreira de sucesso jogando por Arsenal, Barcelona e Chelsea e foi importante nas conquistas da seleção espanhola na Copa do Mundo de 2010 e nas Euros de 2008 e 2012. No entanto, Fabregas jamais alcançou nível sequer próximo a um Bola de Ouro. Hoje, aos 35, segue em atividade pelo Como, da segunda divisão italiana, onde também é acionista, ao lado do ex-colega Thierry Henry.

Messi e Fàbregas durante jogo entre Almería e Barcelona pelo Campeonato Espanhol
Messi e Fàbregas: crias de La Masia Jorge Guerrero/AFP/VEJA

Há 14 anos, no entanto, Fabregas vivia grande fase no Arsenal. Seu técnico, Arsene Wenger, era um grande entusiasta do meia. “A visão de jogo dele é comparável à do Platini”, disse o treinador, segundo matéria de PLACAR, assinada por Bruno Sassi e André Rizek. Curiosamente, se não acertou em cheio com Fabregas, a edição dos “Reis mirins” curiosamente citou dois outros nomes que ainda davam seus primeiros passos no esporte, o adolescente Neymar e o piloto Lewis Hamilton, que naquele ano conquistaria seu primeiro mundial de Fórmula 1.

O blog #TBT PLACAR, que todas as quintas-feiras recupera um dos tesouros de nossas arquivos, transcreve abaixo, na íntegra, o texto de maio de 2008:

Os jovens reis do futebol

Cristiano Ronaldo, Messi e Fabregas… a molecada conquistou os gramados e transformou craques como Kaká (25) e Gerrard (27) em veteranos

Bruno Sassi e André Rizek

No prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo, geralmente se destaca o grande vencedor do ano. Mas ele também serve para se fazer um retrato do futebol mundial. Cannavaro ganhou o de 2006, ano em que a defesa da Itália se sobressaiu em relação ao “futebol-magia” de Ronaldinho e sua turma de artistas.

Este ano temos três moleques despontando como candidatos: Cristiano Ronaldo (23 anos), Messi (20) e Fabregas (completa 21 no começo de maio). Se um deles for eleito, teremos o vencedor mais jovem desde Ronaldo Fenômeno em 1996. O que na época era um fenômeno, justamente pela precocidade, hoje parece ser a regra entre quem compete.

“O padrão era o jogador evoluir fisica e tecnicamente até os 27 anos. Depois disso é maturação, manutenção ou queda”, diz o preparador físico Antônio Mello, que acompanha Vanderlei Luxemburgo. “Só que eles vêm atingindo o auge mais cedo. O processo é acelerado nas categorias de base, com muita tecnologia. Não tem mais aquele padrão de chegar ao pico depois dos 24 anos. O jogador, não só os fenômenos, fica pronto cada vez mais cedo hoje em dia.”

Os jogadores também viram gente grande cada vez mais novos, submetidos à pressão e à competitividade cada vez mais moleques. As próximas páginas estão recheadas com a história de garotos que atingiram o estrelato na Europa antes mesmo de sonharem em ser profissionais. Aqui mesmo no Brasil há um adolescente de 16 anos bastante conhecido na Espanha. A foto de Neymar, do Santos, constantemente estampa os principais diários de Madri, como a próxima estrela (sem exagero) que vestirá a camisa do Real.

O jornalista Claudio Carsughi (rádio Jovem Pan e SporTV) tem uma visão dos craques-prodígio que vai um pouco além do jogo. “É um fenômeno mundial de marketing apostar em caras novas, buscar novidades. Veja o frenesi que causou Hamilton na Fórmula 1”, diz. “Uma marca de jeans não quer se associar ao Romário, busca o rosto de um garoto.”

Nessa busca, os ídolos surgem mais jovens. A seguir, conheça a história dos pequenos reis do futebol em 2008. E de quem vai sucedê-los. A fila anda cada vez mais rápido…

Cristiano Ronaldo

Sejamos claros: Cristiano Ronaldo será eleito o melhor do mundo em 2008. A única outra possibilidade é uma atuação individual fora dos padrões de alguém que seja campeão da Eurocopa ou da Liga dos Campeões da Uefa ” porque a eleição da Fifa, feita pelos técnicos do mundo, tende a considerar o “mais vencedor” como o “melhor jogador”. Apesar de anual, o prêmio também leva em conta o fator “conjunto da obra”: no ano passado, o português ficou em terceiro, mas havia apenas começado uma das melhores temporadas de um jogador no futebol europeu em todos os tempos (soa exagerado, mas é isso mesmo).

Ronaldo tem 23 anos e já faz tempo que ninguém usa a palavra “promessa” para se referir ao atacante. Sua ascensão começa com atuações nas categorias de base do Sporting, que o levaram à seleção juvenil de Portugal. Chamou a aten­ção dos grandes clubes. Mas todos preferiam esperar um pouco mais e abriram espaço para o técnico Alex Ferguson. Em 2003, o Manchester United acabara de perder Beckham para o Real Madrid e buscava alguém para ocupar o lado direito do campo. Os próprios jogadores do time insistiram com Ferguson para que o negócio fosse adiante ” haviam enfrentado Ronaldo no amistoso de reinaguração do estádio do Sporting… Por 12 milhões de libras, ele vestiu vermelho.

Desde então, teve um aumento gradual de responsabilidade e alguns altos e baixos. O mesmo se deu na seleção portuguesa. O que parece ter sido instantâneo foi sua transformação em craque. Ronaldo resolveu deixar sem argumentos quem o achava fominha, firuleiro, ou que não sabia fazer gols. Ele pode atuar tanto numa ponta quanto na outra, porque o pé esquerdo é praticamente tão bom como o direito. Resolveu também bater recordes de artilharia, fazendo gols de todo jeito, inclusive com uma impulsão e uma precisão para cabecear dignas de camisa 9. Desde 2003/04, sua marca de gols na temporada foi aumentando em progressão quase geométrica: 6, 9, 12, 23 e, até o fechamento desta edição, 38.

No fim de 2006, a torcida inglesa ” inclusive a do próprio Manchester United ” andava bronqueada com Ronaldo por ele ter incitado o árbitro a expulsar seu companheiro de clube Wayne Rooney, no jogo entre Portugal e Inglaterra válido pela Copa do Mundo. O Real Madrid tentou se aproveitar do clima e passou meses soltando pombos-correio pela imprensa espanhola sobre sua disposição de oferecer até 80 milhões de euros pelo português. Agora, que valor pensar? Especulam-se possíveis (ou impossíveis?) 100 milhões de libras (cerca de 330 milhões de reais). Estaremos diante do primeiro jogador do futebol mundial que, literalmente, não tem preço?

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Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, 23 anos (5/2/1985)

Nascimento – Funchal, Ilha da Madeira, Portugal

Posição – Atacante

Clube – Man. United (ING)

Lionel Messi

A torcida toda já sabia da vida do adolescente que engatinhava no Barça, tinha visto fotos dele na capa dos jornais, pedia para que fosse incluído no time principal e, no entanto, nunca tinha tido a oportunidade de ver um minuto do rapaz em campo. Foi assim com Lionel Messi no Barcelona: chegou da Argentina aos 13 anos, com casa (grande), comida (boa) e roupa (chique) lavada para ele e toda a família. Seu nome foi parar na boca dos catalães antes da estréia no profissional.

Em seu país, no entanto, Messi era, quando não um desconhecido completo, apenas um mito. Até que veio junho de 2005, o Mundial sub-20 na Holanda. Ele foi artilheiro e melhor jogador. Virou sucessor de Maradona.

Embora já tivesse jogado alguns minutos pelo Barça ” batendo inclusive o recorde de precocidade com a camisa da equipe, por sua vez batido há pouco por Bojan Krkic e pronto para ser batido logo mais por algum outro “, ainda faltava estrear como titular. Foi no troféu Joan Gamper de 2005, que o Barça organiza anualmente para apresentar o elenco da temporada. No empate em 2 x 2 com a Juventus, o argentino estraçalhou a defesa italiana e transformou a entrevista coletiva de Fabio Capello depois do jogo em algo quase histórico. “Garanto que nunca vi alguém dessa idade jogando o que Messi jogou hoje.” Logo Capello, tão famoso pela rabugice. Naquele dia, Messi fez o francês Vieira parecer um novato estabanado. “Não é só a técnica, mas a confiança”, dizia Capello.

Uma semana depois, Placar entrevistou Ronaldinho. Perguntamos quem era o jogador que mais havia impressionado o então melhor do mundo desde sua chegada à Espanha: “O Messi, sem dúvida. Garotos bons de bola nós vemos muitos, principalmente quem é brasileiro. Mas ele, com 17 anos (à época) já é realmente um profissional. Amadureceu com velocidade assustadora.” Nas semanas seguintes, Ronaldinho já começava a ter o pibe como companheiro de ataque.

Messi foi reserva na Copa de 2006. A virada para 2007 decretou o fim da condição de promessa. Passou a ser titular e a grande estrela da Argentina e do Barça: marcou três gols no Real Madrid, reeditou o gol espetacular de Maradona e terminou como segundo melhor do planeta. “Para mim, ele é o melhor. Tem 20 anos e age como se tivesse 30: é decisivo com o clube e com a seleção”, diz Francesco Totti.

O ex-jogador argentino Jorge Valdano, sempre um oásis de sabedoria no meio dos boleiros, também se rende: “Ser Messi é um milagre. Se com a idade dele me acontecesse tudo isso, não saberia nem se devia tomar banho antes ou depois do jogo. Messi tem o melhor da rua argentina e o melhor da escolinha de base do Barcelona.”

Lionel Andrés Messi, 20 anos (24/6/1987)

Nascimento – Rosário Argentina
Posição – Atacante
Clube – Barcelona (ESP)

Fabregas

Ninguém acha estranho quando um menino cruza o Atlântico para se juntar às categorias de base de um clube europeu. O que Cesc Fabregas tem de curioso é que, apesar de jogar no juvenil de uma imensa equipe espanhola ” com tradição em utilizar pratas da casa como o Barcelona “, aceitou mudar de país, cultura e idioma para atuar em outro time juvenil, o do Arsenal.

A contratação aconteceu dias depois de a Espanha ter sido vice no mundial sub-17. Fabregas foi artilheiro e grande nome do torneio. O técnico do Arsenal Arsène Wenger pediu a contratação do menino de 16 anos. “No Barça eu era mais um, enquanto o Arsenal veio atrás de mim”, disse Fabregas, anos depois, justificando a mudança.

“Investimos 7 milhões de euros por ano na base, mas temos esse problema de os ingleses aliciarem nossos jogadores. Antes, eles faziam isso com os clubes da França. Agora é nossa vez”, diz o presidente do Barça, Joan Laporta, explicando um dos poucos telhados de vidro de sua gestão: a perda de Fabregas. A equipe juvenil nos últimos anos perdeu também o zagueiro Gerard Piqué para o Manchester e o meia Fran Mérida para o Arsenal. “As equipes da Inglaterra não têm divisão de base, então vão buscar em outros lugares. Oferecem quantias astronômicas a garotos de 14 anos.” Alguma semelhança entre a Espanha e certo país sul-americano?

Pouco mais de um mês depois de sua chegada, no empate de 1 x 1 com o Rotherham pela Copa da Liga Inglesa, ele se tornou o jogador mais jovem a vestir a camisa do Arsenal (o recorde era de Jermaine Pennant, hoje no Liverpool). A intenção era que ele passasse um tempo aprendendo inglês, vendo como as coisas funcionavam, acompanhando Vieira e Gilberto Silva. Mas os titulares foram se machucando. “Ele logo mostrou que podia agüentar a barra. Estar pronto tão jovem é um grande ingrediente de talento”, diz Wenger.

A saída de Vieira para a Juventus, em 2005, lhe deu definitivamente a titularidade, e a de Henry para o Barça, em 2007, o posto de jogador mais importante da equipe. Aos 20 anos. Com a importância e a liberdade que ganhou, Fabregas se tornou modelo de jogador moderno: o segundo volante que já tem pouco de volante, mas muito de armador-surpresa que aparece na intermediária com qualidade, como Essien no Chelsea, Xavi no Barcelona, Anderson no Manchester, como se destacaram duas das maiores revelações do Campeonato Brasileiro nas últimas temporadas: Lucas em 2006 e Hernanes em 2007.

“A visão de jogo dele é comparável à do Platini”, diz Arsène Wenger ” que, como francês, quando compara alguém com Michel Platini quer dizer alguma coisa. O Arsenal já tratou de renovar o contrato do meia até 2014 ” quando será um ancião de 27 anos.

Francesc Fabregas Soler, 20 anos (4/5/1987)

Nascimento – Arenys de Mar Espanha
Posição – Meio-campista
Clube – Arsenal (ING)

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