Durante uma entrevista concedida no fim de semana no Sial Inspire Food Business, maior feira de alimentos e bebidas do mundo, em Paris, o embaixador do Brasil na França, Luís Fernando Serra, disse que tem dificuldades para falar com Catherine Colonna, ministra da Europa e dos Assuntos Estrangeiros do país, apesar de suas tentativas de se aproximar do governo Emmanuel Macron.

“Eu não consigo conversar com a ministra das Relações Exteriores”, desabafou Serra, depois de interpelado por um jornalista sobre uma possível tentativa de falar com Macron, pessoalmente, sobre a crise energética no país. “Não me recebem. Eu queria que minhas cartas fossem publicadas na coluna do leitor, e nem isso eu consigo. Estamos no país que reinventou a democracia no século 18. Eu escrevo cartas que não são publicadas. Não escrevo mais.”

Segundo o embaixador, o protecionismo europeu é um dos problemas para a deselegância do governo Macron. “O problema é o seguinte: não existe no mundo só a Europa. A Europa sabe que nós somos competitivos, e isso incomoda.”

Em um determinado momento da entrevista, o diplomata foi confrontado a respeito das “queimadas” no governo Bolsonaro. “Conforme a Nasa, o pior incêndio deste século ocorreu em 2005, quando o presidente era Lula”, constatou Serra. “Eu falei isso em 2019, e todos vocês, jornalistas daqui da França, ficaram caladinhos. E sabem por quê? Porque Lula é o chuchu da imprensa, é o queridinho da imprensa.”

 

O embaixador lembrou ainda que o Brasil tem uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo e que o Código Florestal, quando assinado, há dez anos, foi amplamente elogiado.

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